domingo, 22 de maio de 2011

Reportagerm da VEJA sobre a descoberta do prazer da leitura por uma nova geração.

Na semana passada a Revista Veja surpreende com uma matéria de capa sobre a descoberta do prazer da leitura por uma nova geração. O texto apresenta exemplos de leitores que mergulharam nesse universo a partir de livros "menores" (segundo os críticos) como Harry Potter, a série Crepúsculo, ou A Cabana e a partir daí passaram a descobrir livros "melhores". Vale MUITO a leitura. Há ainda mais de uma centena de dicas de livros. Parabéns à Veja.

NESTE LINK você acompanha a íntegra da reportagem, publicada no blog TUDO SOBRE LEITURA.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Censura em debate...

O tema é atual, importante e pertinente. Seria ótimo uma transmissão simultânea para que muitos interessados e que não estão na Cidade Maravilhosa pudessem tomar conhecimento do debate. Fica a dica para a Prefeitura do Rio. E aos que estiverem em terras cariocas, aproveitem a discussão! Hatuna Matata!!!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Reinações na Biblioteca

Por todo canto do Planeta dos Livros se comentou o dia 02 de abril. Em virtude de ser o natalício de Hans Christian Andersen (1805), comemora-se em todo o mundo o Dia do Livro Infantojuvenil. No projeto, comemoramos também. Andersen, Literatura e mais Leitores. Casa cheia, mais uma vez: 21 crianças. E o tema do dia foi bibliotecas.

A primeira leitura foi do livro O Cavaleiro e o Dragão (Tomie de Paola, Editora Moderna) e a segunda foi a história Deu Rato na Biblioteca (Célia Madureira e Raquel Gonçalves, il. José Regino, Franco Editora). Essa última algumas crianças já conheciam pois as autoras visitaram muitas escolas do Distrito Federal apresentando o livro e seus personagens (Racumim e Racutia) numa versão teatral de muito sucesso por aqui.

Em seguida fui perguntar quem conhecia algumas histórias de Andersen. Claro que eles conheciam, muitos a partir de filmes e desenhos animados. Munido de alguns livros com histórias do escritor dinamarquês, falei da sua importancia, do tempoem que ele escreveu aquelas histórias e escolhi uma menos conhecida ( ) que pesquei do livro Contos de Andersen, escolhidos e ilustrados por Lisbeth Zwerger, numa edição primorosa da Martins Fontes. Todos atentos esperando pelo desfecho. Como é mágico o desenrolar de uma boa história.

Por fim, ao final da mediação, descobri meu querido Pai, às vésperas dos 70 anos, feito menino, entretido no meio das histórias das Reinações de José Mindlin (José Mindlin, Ática). :) Em nossa biblioteca também acontecem encontros inesquecíveis a cada semana. Esse foi mais um deles. Nada mais a dizer a não ser: Hatuna Matata!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Jura, jurado, juradinho?

A seguir, o relato de Edna Freitass sobre o encontro com as crianças no sábado passado:

Cada dia no projeto Roedores de Livros é único.

Podemos até imaginar como será o dia, construir o enredo. Mas são as crianças que põe as vírgulas, as reticências, as exclamações e um ponto final a cada encontro. E assim foi naquela manhã de sábado, 26 de março, quando os demais roedores necessitaram levar nossas ações a outros Estados, e ficamos eu e Célio para tocarmos o projeto.

Antes de chegarmos à toca dos Roedores, onde nosso projeto acontece, resolvemos tomar um café na praça da feira e o encontro começou ali mesmo, quando se aproximaram os irmãos Israel, Isabela e Isaac com dois novos convidados.

Já na toca, aos poucos, as crianças foram chegando. Vitória, Victor, Erik, Lucas, Amanda, Isabela, Isaac, Israel, Jonatas, Arthur, Cauan, Pedro Henrique, Josielen, Jonathan, Maykon, Débora, Ruth, Rebeca, Henrique, Natália e Daniel somaram-se ao trio inicial. 21 crianças além de mim e do Célio! Um desafio e tanto para nós dois.

O som das vozes das muitas crianças nos encorajaram e aconteceu de tudo: adivinhações, desenhos, leituras solitárias e compartilhadas, visitas à biblioteca, inscrições de novas crianças, esclarecimentos junto a mães e pais, além de coisas do cotidiano que se tornam mais engenhosas quando envolvem 21 crianças e 2 adultos, como as idas ao banheiro e ao bebedouro.


Célio, bem acostumado a resolver as burocracias do projeto (sim, elas existem e são tão importantes quanto os outros afazeres), tomou a iniciativa de mediar a leitura naquela manhã. E o fez bem com o genial Mania de Explicação (Adriana Falcão, com ilustrações de Mariana Massarani, Salamandra) colocando as cucas maravilhosas das crianças para ferver em criatividade acerca das definições nada comuns para palavras como Amor, Saudade e Sucesso.

Entre uma e outra atividade, as crianças cobraram a razão dos demais roedores (Ana Paula, Clara e Tino) não estarem ali. Explicamos e dissemos que, na volta deles, teríamos novidades. Felizes, decidiram que o dia seria diferente do habitual. Foi um sábado singular na rotina do projeto.

O pequeno Israel, depois de um longo recesso, retornou com o mesmo entusiasmo do ano passado. Participou de todas as atividades.... pintou e bordou!!!! À meia boca ficou (junto coma turma) perguntando pelo lanche.... explicamos que em virtude da singularidade do dia, não teríamos o delicioso lanche. Ele deixou claro que o lanche era importante, muito importante. Dando um ponto final nas atividades daquele dia, ele me abraçou carinhosamente e disse como quem pede um brinquedo ao Papai Noel:

- Tia Edna, vc jura juradinho que no próximo sábado teremos lanche?

Ficou jurado, juradinho. Sábado que vem termos lanche e literatura. E mais Roedores de Livros!!!

terça-feira, 29 de março de 2011

Um ar tão bom de respirar...

19 de março. O dia reservado para cadastrar as crianças que participarão do projeto Roedores de Livros em 2011. As 9h, eu e Ana Paula subimos à Torre A do Shopping Popular da Ceilândia e deixamos os novos formulários para os pais e/ou responsáveis irem preenchendo sob as observações de Celio e Edna acerca do projeto. Os dois já haviam chegado, aberto as janelas, desenrolado os tapetes, deixado correr um novo ar pelos livros saudosos de leitores. Confesso que, particularmente naquele dia, eu não estava muito confiante numa presença maciça das crianças, motivado pelo simples fato de que seria necessária a presença dos pais. Com esse pensamento, eu acompanhei Ana Paula no tradicional e delicioso café na praça de alimentação.

Quando voltamos, Gabriel (na foto acima, entre Celio e Edna) já estava lá. Aos poucos foram chegando Vitor, Natalia, Vitória, mães, avós, pais e eu me enchi de esperança em um ano bom, repleto de crianças. Gabriel foi o grande pescador de meninos daquela manhã. Ao ver que tinha mais meninas que meninos, desceu as escadas e foi buscar os amigos.Quando a farra começou pra valer, já estávamos com 18 crianças na Sala de Leitura. Apertada e barulhenta, como a gente gosta. Muita gente nova. Olhos curiosos. Silêncio mesmo só quando a Ana Paula pescou o Cadê o Juízo do Menino? da estante e começou a contar as desparafuzices. Todo mundo grudado no livro. Felicidade.

Eu também fui à estante e peguei o Comilança. Com ele em mãos, fomos brincar com as onomatopeias e com as gulodices do mundo animal. Fizemos uma leitura coletiva. E nos divertimos. Muito.

Depois das leituras, liberamos a casa para os novos moradores e eles a tomaram para si. Metros quadrados de infância e literatura. Um ar tão bom de respirar. Que seja assim todas as manhãs de sábado. Hatuna Matata!!!

domingo, 27 de março de 2011

Literatura Infantil no Painel das Letras (Folha)

A coluna PAINEL DAS LETRAS, da jornalista Josélia Aguiar (Folha de São Paulo), publicou ontem duas notas cujo conteúdo referia-se à Literatura Infantil e que reproduzo nas imagens desse post. A primeira, destaca a Feira de Bologna, que começa hoje. Muitos amigos por lá. Daqui, desejamos sucesso nos negócios. A outra fala de um segmento que vem crescendo a cada ano e que promete sacudir o mercado do livro: as vendas porta a porta. Clique sobre as imagens para ampliá-las.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Como você lê um livro?

Há tempos eu não usava tantos sentidos na leitura de um livro como o fiz com O LIVRO NEGRO DAS CORES (Menena Cottin e Rosana Faría, Pallas). Impossível ficar indiferente ao seu conteúdo. Das possibilidades diversas de leitura contidas em suas páginas negras. Impossível não pensar naqueles que dizem que o livro vai acabar com a popularização dos e-books. Impossível não trazer esse livro para casa depois de tê-lo ao alcance das mãos.

Conheci a edição portuguesa em 2009 e descobri em junho passado que a Pallas iria publicá-lo por essas terras. Em novembro, encontrei a editora Cristina Warth na entrega dos prêmios literários da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro e ela falou com entusiasmo do carinho com que a Pallas estava preparando a edição brasileira. A edição estava à bordo de um navio, vindo da China. Isso só me deixou ainda mais curioso e ansioso.

Ao entrar numa livraria há duas semanas eu o encontrei. O coração bateu forte. Corri ao seu encontro. Queria saber dos amarelos, verdes e azuis de Tomás, personagem do livro. O encontrei mais belo, em capadura. Mergulhei os olhos no breu. Toquei nas penas, nos morangos e na chuva. Descansei no cinza das palavras. Ah, as palavras de Tomás. Para ele as cores tem sabor, textura, cheiro, som. Para mim também. É certo que para você não é diferente, amigo leitor. Mas, se você ainda não descobriu isso, deixe Tomás lhe mostrar como é. As autoras são venezuelanas e o livro ganhou o Prêmio Bologna Ragazzi de 2007, na categoria Novos Horizontes. Acho que não devo dizer mais. Surpreendam-se com o novo. Vocês verão quão intensa e diferente pode ser a experiência da leitura no "velho" suporte de papel. Parabéns à Pallas por continuar investindo em livros de qualidade.

Abaixo, convido vocês a descobrirem um pouco mais sobre o livro. O vídeo foi editado em Portugal, mas dá para entender muito bem. Boa "leitura". Hatuna Matata.

Há vagas...

Participar do Roedores de Livros é também um ato de fé, uma prova de que não podemos desistir em meio aos obstáculos que surgem quase que semanalmente. A história que conto a seguir aconteceu no sábado, 12 de março. Foi o dia que escolhemos para a retomada do projeto junto às crianças. Para conquistar novos leitores resolvemos estender o tapete vermelho na praça de alimentação do Shopping Popular da Ceilândia e, aos poucos, a garotada foi se aconchegando.

A proposta era pescar leitores pelo olhar. Para tanto, nos cercamos de saborosas iscas: livros pop up como A Girafa que Cacarejava, O Porco Narigudo, O Pinguim Preocupado, O Ursinho Apavorado e O Sapo Bocarrão (todos do Keith Faulkner e Jonathan Lambert, publicados pela Cia das Letras). A cada figura que "saltava do livro" um feirante espiava lá de longe, uma criança sentava no tapete e a gente seguia com a pescaria.

No meio de tanta criança que frequentou o projetono ano passado encontramos novos leitores. Então, depois das histórias ali no pátio do primeiro andar, subimos para a torre A para apresentarmos a sede para quem ainda não conhecia. Como cicerones, Ana Paula, Celio, Clara e Edna (além das visitas ilustres da Marcela, Jaqueline e meu pai, Francisco, que veio passar uns dias por essas terras).

Entre os novatos, um garoto com um entusiasmo que eu não via há muito. Quando a gente encontra uma "peça rara" dessas, percebemos que há um terreno fértil para que a literatura plante sua semente modificadora do homem. Foi unânime. Nos apaixonamos pelo garoto. E ele, nitidamente, ficou louco pelo universo que descobriu naquela manhã. Aí vem a parte incrível da história.

Quem trabalha com crianças sabe que precisa ter tudo documentado, autorização dos pais, permissão para uso da imagem, uma regra aqui, outra ali, pois é preciso muita responsabilidade. Para participar do Roedores de Livros, efetivamente, é preciso que os pais ou responsáveis preencham e assinem uma ficha. Ao saber disso, nosso garoto de ouro saltitou, pegou o panfleto de divulgação (com tudo explicado) disse - Vou Chamar a minha mãe - e desceu quatro lances de escada para convidá-la, no térreo. Queria que ela assinasse tudo ainda naquela manhã.

A partir daí, o que se sucedeu foi um embate entre a vontade de um e a preguiça do outro.
Na primeira vez, o garoto retornou com a resposta da mãe: - Ela disse que não dá porque é longe! (2 andares subindo de escada).
Depois, subiu triste, dizendo: - Ela disse que não dá porque astá ocupada!
Ana Paula enviou o formulário por ele e disse: - Entregue a ela, peça para preencher e trazer aqui os documentos na semana que vem. Diga ainda que é de graça. Esperamos você no próximo sábado, heim?
Por fim, radiante ao saber que era de graça e que ainda havia como participar, o menino desceu a escada saltitante prometendo voltar na semana seguinte.
Ainda esperamos por ele. E por novos participantes.
Há vagas.

À tarde, os marmanjos da foto acima se reuniram para o primeiro encontro na oficina proposta por Clara Etiene. Uma saborosa degustação literária que culminou com uma produção de mini-contos a partir da leitura de trechos do livro ESTORIAS MÍNIMAS, maravilhosa seleção de mini-contos de José Rezende Jr. Em breve, mais, muito mais para vocês. Hatuna Matata!!!

Recomeçando - Roedores de Livros 2011

Findo o carnaval o ano começa pra valer. Não foi bem assim que aconteceu (pois houve muitos encontros anteriores para pensarmos as atividades de 2011), mas foi quase isso. No sábado 05 de março os Roedores de Livros (Ana Paula, Celio, Clara, Edna e eu) reuníram-se na sede para delimitar algumas ações, estabelecer um cronograma, debater ideias e outras cosítas más. Papéis (tem acento?), canetas e muita vontade de recomeçar nossa ciranda anual. Foi dada a largada. Agora ninguém segura. As histórias estão soltas no ar, nos livros, em nossos corações!!! Hatuna Matata!!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Acordei Roedora de Livros

O texto a seguir nos foi enviado por Clara Etiene (na foto, à direita, ao lado de Hosana). Esse é o espírito. A literatura nos emociona. Mas o que ela faz com o Homem é ainda mais emocionante. Leiam seu relato e saibam porque "A Hosana é para nós dos Roedores a prova de que sempre há alguém sedento esperando por algo que temos guardado misteriosamente". Boa leitura a todos. Hatuna Matata!!!


No início do ano passado, quando os Roedores de Livros vieram para o Shopping Popular de Ceilândia, o espaço que seria ocupado por eles na manhã de sábado, à tarde ficaria livre para que eu iniciasse uma nova experiência. Sou professora de literatura e há dois anos deixei as salas de aula para trabalhar em um órgão de pesquisas, portanto, sentia falta de um espaço para dialogar sobre literatura e acima de tudo, sentia falta dos leitores.

Durante alguns anos na Universidade de Brasília participei de um Grupo de Pesquisa cujo principal foco era a Formação de Leitores, e a leitura, que sempre teve um lugar especial na minha vida, tornou-se foco de muitos estudos e tema do meu doutorado. Mas, foi no ano passado, aos sábados à tarde que vivenciei uma experiência cheia de boas surpresas. Já que os Roedores de Livros recebiam as crianças pela manhã, me atrevi a abrir as portas para receber os adolescentes, jovens e adultos no período da tarde.

Levei revistas, Best Sellers, Gibis, Postais e tudo que pudesse fazer parte do universo de interesse dos adultos para começar minha estratégia de sedução leitora. O objetivo era atraí-los para o texto e incentivá-los a escrever a partir dessa leitura. Logo percebi que as pessoas vão se distanciando do mundo da palavra ao longo dos anos e quando adultos entendem, equivocadamente, que o mundo dos livros e da leitura não faz parte de suas vidas. Então, as pessoas apareciam e sumiam com a desculpa “Isso não é para mim...”.

Um grupo de quatro adolescentes frequentou mais os encontros, mas foi uma mulher de aproximadamente 35 anos que um dia chegou ao local dos encontros me dizendo que adorava escrever e que precisava de ajuda. Deu-se o implacável destino. Ao longo de vários meses a Hosana, feirante do Shopping Popular, veio ao me encontrar aos sábados à tarde para aprender a compor histórias e o único empurrãozinho que eu precisei dar foi mostrar que só quem lê bem consegue melhorar sua produção escrita. Ela aprendeu rápido, reescreveu toda a história que ainda está sendo gestada, de forma mais organizada e apropriando-se de vários recursos narrativos. O método que eu apresentava sempre era a leitura de algumas obras, como contos, fábulas e romances. Líamos e relíamos, sobretudo, o que a Hosana escrevia e ela melhorava os seus textos a cada sábado.

No último encontro de 2010, Hosana foi uma das estrelas que brilhou. Na nossa programação de encerramento lemos para as crianças uma história escrita por ela: “Meu primeiro beijo”. Fizemos o lançamento do "livro" com direito a pose para fotos, autógrafos e abraço dos amigos. Depois daquele ano de trabalho aos sábado à tarde, a alegria da Hosana foi apenas um dos presentes que eu recebi, porque foi nesse mesmo evento que a Ana Paula, Edna, Celio e Tino me intimaram e eu logo aceitei a compor oficialmente o grupo dos Roedores de Livros.

A Hosana é para nós dos Roedores a prova de que sempre há alguém sedento esperando por algo que temos guardado misteriosamente.

Parece sonho...