terça-feira, 18 de maio de 2010

Mais uma flor no jardim de André Neves

Quando conheci a história de Obax, em novembro de 2008, ela me tomou os ouvidos. Era puro texto. Sem desenhos. Sem as cores no papel. E já me encantara. A menina inventadeira de causos me remetia a uma infância cheia de fantasia, onde bastavam batatas e palitos para começar uma brincadeira. Hoje, se formos pensar a sério, quase não há tempo para isso. A TV entrega tudo pronto, formatado. É a fantasia de um a serviço da preguiça criativa dos outros. Mas voltemos ao assunto principal: novo livro de André Neves.

Passado um tempo, menina Obax - que me encantara meses atrás - ganhou uma editora, cores, formas e, mesmo assim, continuou me espetando a fantasia. É o tal do traço mágico de André Neves que retrata deixando espaços pra gente criar. E criar é verbo que domina a história da personagem africana, desacreditada pelas crianças e adultos de sua pequena aldeia quando disse ter visto cair do céu uma chuva de flores.

Ofendida, a pequena que já havia caçado ovos de avestruz, corrido com os antílopes e enfrentado crocodilos, sai pelo mundo em busca de uma prova da sua chuva de flores – afinal, naquela savana, mal chovia água. No caminho, encontra Nafisa, um elefante que a ajuda na sua viagem. O novo amigo, ainda por cima, seria testemunha de tudo que viesse a acontecer. Obax não estaria só.

Daí pra frente o enredo fica ainda mais rico. E cheio de surpresas. Surpresas até para mim, que já conhecia a história, mas fui redescobrí-la nas ilustrações de André, cheias de referências às cores e estampas (repare nos vestidos) vistas nas aldeias mais isoladas dos grandes centros africanos. Com um olhar mais atento, é possível encontrar peças de artesanato, utensílios domésticos e até uma tromba de elefante no abraço carinhoso da mãe do Obax (não sei se André a criou ou se foi minha imaginação).

Por fim, as flores. Ah, as flores de André. Dá para sentir o perfume de longe. E a primavera chegou com todo seu colorido no meio da secura desse Planalto Central assim que descobri o livro ontem à noite na estante da livraria. Não resisti e trouxe Obax para casa, onde a rego com o meu olhar e ela me responde florindo aqui na mesa ao lado do computador, soprando histórias e me deixando ainda mais apaixonado pela África.

No início do livro – publicado pela Brinque Book – André Neves escreve que “Quando o sol acorda no céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira. O dia aquece, enquanto os homens lavram a terra e as mulheres cuidam dos afazeres domésticos e das crianças. Ao anoitecer, tudo volta a se encher de vazio, e o silêncio negro se transforma num ótimo companheiro para compartilhar boas histórias”.

Obax é também um ótimo companheiro. Se você o encontrar por aí, não hesite. Descubra as histórias que ele guarda em suas páginas e se emocione com o texto e o traço de André Neves. Hatuna Matata.

P.S. A quarta imagem, é o registro de André Neves contando a história de Obax para crianças numa escola em Pirenópolis, interior de Goiás.

domingo, 16 de maio de 2010

A primeira leitura

Queridos leitores... esse menino sorridente da foto aí de cima e da foto de baixo é o Tiago. É o garoto que mais esteve presente no projeto desde que mudamos para a Torre A do Shopping Popular da Ceilândia. Na manhã do sábado 17 de abril fomos agraciados com a sua primeira leitura em público no projeto.

Era um livro pequenininho, que ele escolheu na estante - perdoem-me por não lembrar o título nesse momento em que escrevo, mas depois deixarei registrado. Miúdo no formato e com poucas páginas, mas que serviu para destravar sua vontade de ler, espelhando nossas ações semanais. Uma leitura ainda tímida, sem muita fluência, trôpega em alguns momentos, que precisou de ajuda para chegar ao final; porém rica e inesquecível para nós. E motivo principal desse post. Ganhamos uma batalhinha: um leitor. Estamos felizes e desculpe se pode parecer pouco para quem lê. Para nós é MUITO e aqui, deixo o nosso VIVA para o Tiago. Esperamos ouvir muitas outras histórias dele e dos outros pequenos.

Mas aquele dia foi especial por outros motivos: foi a primeira vez que algumas das crianças ouviram a história OS TRÊS PORQUINHOS que ficamos devendo na semana passada e que mediei a partir de O GRANDE LIVRO DOS LOBOS (Compilação da Editora Companhia Nacional). Mesmo quem já conhecia a história, curtiu. É um clássico. Entre outras histórias daquela manhã, o Tino leu PANDOLFO BEREBA (Eva Furnari, Moderna) em que não só o texto da autora provocou risos, mas a gurizada ficava louca para ver as ilustrações das personagens: outro ponto forte naquele dia.

Na semana anterior, eu havia prometido levar um helicóptero para cada criança nesse sábado. Promessa feita, promessa cumprida. Mais um pedacinho de papel, algumas dobras, uns recortes e um clip de metal... pronto. Cada um fez o seu e durante os últimos 30 minutos colocamos as aeronaves para voar. Por fim, descemos para o primeiro pavimento, onde fica a entrada da Torre A e fizemos o registro final daquele dia, antes de cada criança seguir para casa. Ainda precisamos alcançar mais crianças, mas já nos sentimos mais à vontade e íntimos de algumas crianças. E isso faz MUITA diferença. Hatuna Matata.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Livro novo é sempre uma alegria!

Gente... livro novo é sempre uma alegria. Por isso, nesse final de semana que chega, tem gente boa distribuindo alegria por aí.

Já nessa sexta, 14/05, Socorro Acioli desembarca na Livraria da Vila, em São Paulo, para lançar dois livros de uma só vez: A bailarina fantasma e O inventário de segredos, ambos publicados pela editora Biruta e o sugundo, ilustrado por Mateus Rios - gosto muito do trabalho dele. Ainda não li os livros da Socorro (eles já chegaram aqui na toca, mas falta tempo), mas ela é craque no cuidado com as palavras. Posso afirmar que a editora caprichou no projeto gráfico dos dois livros. E muita gente boa tem falado bem sobre A bailarina fantasma, como Marisa Lajolo.

Se você estiver em Curitiba no sábado, 15/05, a pedida é conferir o lançamento de O Gato e a Árvore, livro-imagem de Rogério Coelho, publicado pela editora Positivo. Apesar de estar há pouco tempo publicando literatura infantojuvenil, a Positivo tem um catálogo com bons livros de imagem. Gosto muito do livro O Encontro (de Michele Iacocca) com o qual costumo brincar de adivinha nas mediações por aí. A visita ao lançamento também vale pelo local: a Bisbilhoteca, um cantinho que trata a literatura com muito carinho. Ah, e vale também visitar o blog do Rogério Coelho, em que ele conta a "construção" do seu primeiro livro como ilustrador e autor.

Por falar em primeiro livro como autor, ainda no sábado, 15/05, de volta a Sampa, o querido Renato Moriconi lança O sonho que brotou (DCL). O livro não quer ir de jeito nenhum pra estante aqui de casa. Já o encontrei na mesa da sala, em cima da cama, no aparador (bem pertinho da estante), mas ele não descansa. Quer encantar todo mundo uma, duas, três vezes... enfim. Um livrão, capa dura, para ler na vertical, com uma ideia muito bacana sintetizada em poucas palavras e muita imaginação (Moriconi é ótimo em brincar de misturar texto e ilustração para contar boas histórias). Ah, sem contar que o cara é uma peça divertidíssima - vale a companhia, mesmo sem livro. Aguardem resenha do livro aqui no blog.

Então é isso. Tá dado o recado. Quem puder, apareça! Para confirmar horário e local dos lançamentos, basta clicar sobre as imagens. Boa festa para todos. Hatuna Matata!!!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Coloridos, sorridentes e em busca dos três porquinhos

Depois de uma pausa no feriado da Semana Santa, retomamos o projeto na manhã do dia 10 de abril. Ana Paula estava com um tema na cabeça: - Hoje vou levar histórias que tenham o "porco" como personagem principal. Aí, na seleção, alguns cássicos: O Porco (Bia Hetezel, com ilustrações de Filipe Jardim e Flora Sonkim, Manati), Leo e Albertina (Christine Davenier, Brinque Book), entre outros.

A nossa sala de leitura recebeu um público melhor que o da semana anterior mas durante o bate-papo inicial sobre a mediação uma surpresa absurda: Duas crianças não conheciam a história dos três porquinhos. Outro absurdo: na nossa biblioteca não havia uma edição sequer com essa história. Os dois absurdos seriam resolvidos na semana seguinte pois a mediação estava passando da hora. Ana Paula leu Um porco vem morar aqui (Claudia Fries, Brinque Book) e depois, Monstro, não me coma (Carl Norac, com ilustrações de Carll Cneut, Cosac Naify). Eu fugi dos porcos e li Eu sou o mais forte (Mario Reis, Martins Fontes) e brincamos juntos durante a leitura do ótimo O livro da com-fusão (Ilan Brenmann, com ilustrações de Fê - a edição que temos é a da Brinque Book, esgotada, mas há uma nova ediçào pela Melhoramentos).

O projeto recebeu a visita da Adriana Frony, parceira em várias apresentações com os seus brinquedos cantados e reuniu a tropa roedora no brinquedo O ESQUIMÓ e saíram todos desbravando nosso espaço em busca de um Urso Polar e falando ROC TOC UMA. Divertidíssimo.

Por fim, antes do fim, distribuímos papéis e giz de cera para a criançada. Era o que tinha à mão para a oficina. Mas bastou. Todos, a seu modo, encontraram um cnatinho e desenharam livremente o que veio à cabeça. A ilustração abaixo foi da pequena Vitória. Adoramos. Belo desenho, com o fundo colorido, cheio de expressão. Reparem nos sorrisos. Foi assim que a gente saiu de lá: coloridos, sorridentes e em busca dos três porquinhos. Hatuna Matata!!!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O que vocês querem aprender?

O título desse post refere-se à primeira frase que o Professor JOSÉ PACHECO disse em sua palestra na noite dessa quinta, 06 de maio, em Brasília. O encontro, promovido pela Edições SM, lotou o auditório com professores e curiosos - todos "alunos" - famintos por conhecer de perto as ideias, angústias e conquistas desse inventivo senhor com espírito de criança. Para quem não está familiarizado com o nome, José Pacheco é co-fundados da ESCOLA DA PONTE, em Portugal, ícone mundial, modelo ímpar da educação que gostaríamos de dar aos nossos filhos, quanto mais aos alunos.

Sem turmas, sem provas (a partir dos conceitos que aprendemos)... funcionando numa lógica diferente, em que os alunos escolhem o que querem aprender e são acompanhados individualmente, a Escola da Ponte parece ter saído de um mundo fantástico. Ouvíamos incrédulos as ousadias e os resultados proferidos.
Enquanto o palestrante dizia alguns clichês como "o amor é indispensável na educação" ao olhar para o lado eu lia "a política é dispensável na educação". Parece que, de fato, ele vive esse amor. Mas não foi só amor que levou José Pacheco e seus parceiros a inventar um "novo cenceito" e transformá-lo em realidade. O que ouvi naquelas duas horas foi a determinação, a imposição, o enfrentamento, a atitude de um grupo ousado. Sua fala contagia. Uns perguntam como é possível? Outros assentem: é impossível! Enfim, ninguém saiu dali impune.

Ressalto a seguir algumas frases ditas por José Pacheco:
- O amor é indispensável na educação;
- É necessário impor algumas coisas (sobre como agir numa escola mais democrática e citou a ótima história de como se tornou professor de educação musical - impagável!!!);
- O mais difícil de um projeto de educação são os primeiros 30 e poucos anos, depois é fácil (sobre a árdua consolidação da Escola da Ponte como referência mundia, cuja mudança de "planejamento" ocorreu ainda nos anos 70);
- Há dificuldades de ensinagem (sobre os que argumentam dificuldade de aprendizagem de seus alunos);
- Tá tudo errado (sobre o fato de, no ensino fundamental - do 1º ao 5º ano - termos apenas UM professor para ensinar todas as matérias de forma genérica - é preciso especialistas);
- Se o professor vê lixo, ele transmite lixo (ao comentar ironicamente que ficou sabendo que "um" professor assistia ao Big Brother - constrangimento total no auditório);

José Pacheco ainda reclamou do nosso descaso com os educadores tupiniquins (citou uma visita que fez a Caitités, cidade natal de Anísio Teixeira, que resultou nesse belo texto intitulado A SEGUNDA MORTE DE ANÍSIO TEIXEIRA).

Por fim, depois de muitas metáforas, de se mostrar esperançoso com alguns trabalhos em educação que tem acompanhado no Brasil; depois de conquistar a plateia com histórias engraçadas (agora, depois de tanto tempo passado, pois na hora em que aconteceram tinham um quê de trágicas) e de mostrar que é possível e necessário trabalhar com a inclusão de uma "nova" forma em que consigamos ver no outro um ser diferente - como somos todos - e não, deficiente, José Pacheco entregou o ouro e disse:

- BRINCAR. ESSE É O SEGREDO!

Para quem ainda não conhece a história da Escola da Ponte e tem interesse de mergulhar na sua "construção", resomendo a leitura do livro ESCOLA DA PONTE - Formação e Transformação da Educação. Mas você pode descobrir quão saborosas são as histórias de José Pacheco e seus netos ao ler os livros Para Alice, com amor e Para os filhos dos filhos dos nossos filhos.

Como aperitivo, reproduzo abaixo, a gravação do trecho de outra palestra de José Pacheco, publicada no Youtube. Nesse site você pode assistir a muitos vídeos sobre José Pacheco e a Escola da Ponte.



E não poderia deixar de agradecer à Edições SM por ter nos proporcionado tão fabuloso encontro. Esperamos por mais.

Onde estão as crianças?

Já disse por aqui que a cada sábado, um friozinho na barriga entrega o sentimento estranho de não saber o que vai acontecer no encontro com as crianças. No dia 27 de março esse encontro quase não aconteceu. Chegamos cedo à Torre A do Shopping Popular da Ceilândia, mas não havia nenhuma criança. De repente, passos na escada. O Tiago apareceu. Ele é o mais serelepe da turma que frequenta o projeto. Chama a gente pelo nome, agrega bagunça e atenção. Danado como criança deve ser. Ali, sozinho, enquanto esperávamos outras crianças, ele foi direto pescar um livro na estante. Pegou um bem pequenininho, se acomodou no tapete, arrumou um encosto com almofadas e mergulhou no seu mundo.

Não resisti ao tédio daquele silêncio e fui conversar com ele. Saber um pouco da vida, sobre suas leituras e outras preferências... Aí, o Tino apareceu com o livro Uma Viagem Fantástica e fomos procurar Wally. Nos divertimos bastante até que ouvimos novos passos na escada. Era o Célio. E aí, juntos, fomos procurar Wally em Um Passeio na História com o Tiago.
Passou mais um tempo e ouvimos novos passos na escada. Apareceram Vitória e sua mãe já no meio da manhã. Havíamos encontrado muitos Wallys e fui atrás de histórias para embalar a fantasia da dupla.

Naquele final da manhã, compartilhamos das histórias de Silvia Orthof (Fraca, Fracola, Galinha D'Angola) e de Eva Furnari (Assim, Assado), entre outras. Ao final, ficou a sensação de que é preciso fazer mais. Tá certo, foi um dia atípico. Mas incomodou. Rodamos 20km para encontrar as crianças e elas não apareceram. Muito estranho. É preciso mais atenção da nossa parte para entender o que acontece ao redor. O espaço é novo. Novas crianças. Novas atitudes. Ou não - como diria Caetano. Dúvidas. Dúvidas. Semana que vem é feriado e não teremos o projeto. Veremos o que vai acontecer no dia 09. Cruzei os dedos. Hatuna Matata.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Quem tem medo de Poesia?

"Encontramos com frequência professores que sentem medo de poesia. Não da poesia que leem, imersos em um mundo de sons e de ritmos, de metáforas e de verdades. Mas da poesia que querem ensinar. Antes, como leitores, velejavam destemidos em um mar de versos de antigos e novos poemas. Mas empalidecem diante desses mesmos poemas, caso estejam na frente de seus alunos nas salas de aula. Essa edição número 8 de Tigre Albino foi produzida pensando nesses professores. Ou melhor, pensando em todo leitor, mas especialmente nesses professores. Alguns vivendo em pequenas localidades, cheios de entusiasmo e estão sempre buscando a melhor maneira de contagiar seus estudantes com o gosto pela poesia."

Assim começa o texto de abertura da nova edição do TIGRE ALBINO, revista eletrônica de Poesia, que apresenta textos de Maria Antonieta Cunha, Ana Maria Machado, o relato da experiência da professora Rosângela Silvelli com a poesia em sala de aula, entre outras delícias boas de conhecer, de descobrir. Clique AQUI e boa viagem. Hatuna Matata!!!



Para Gostar de Ler - É preciso voar

De volta ao projeto, uma semana após o recesso - pois fomos prestigiar a FLIPIRI -, a manhã de sábado, 20 de março, foi como um recomeço. Explico usando o título desse post. Para gostar de ler é preciso, entre outras coisas, voar. E nesse desafio de conquistar novos leitores numa nova casa, é preciso inserir o livro aos poucos no meio de outras atividades que, para as crianças, são mais prazerosas. A gente aprende a voar a partir de brincadeiras de roda e oficinas de arte que sempre foram nosso forte no início do projeto, junto com a mediação de leitura. Dividíamos o tempo entre essas três coisas. Aos poucos as crianças foram pegando gosto pelo livro, foram pedindo para levar alguns para casa, se colocavam à disposiçào para uma leitura em grupo, etc. Nesse sábado retomamos essa ideia com uma simples folha de papel em branco.

Mas, antes do final, a turma participou com ouvidos atentos e olhares curiosos da mediação com os livros O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO DO MARAJÁ (James Rumford), QUE BICHO SERÁ QUE FEZ O BURACO? (Angelo Machado, com ilustrações de Roger Mello) e O SHORT AMARELO DA RAPOSA (Maria Heloísa Penteado, com ilustrações de Igor Balbachevski). Esse último, arrancando expressões de incredulidade da meninada a cada bichão engolido pela raposa. Bem divertido ver essa "briga" entre a fantasia e a realidade.

Depois, folhas de papel e um pouco de conhecimento para criar aviões bem diferentes dos tradicionais. O Fernando (na foto abaixo) criou o seu avião - bem diferente do nosso - mas depois entrou na fábrica em série e foi divertido botar essa turma para voar.

Um, dois, três e JÁ!!! Não foi fácil produzir uma foto com os aviões no ar. Mas aqui está a melhorzinha. A turma da foto tem aparecido com mais frequencia e a gente já percebe uma melhor interação também na relação conosco.

Ainda dá um friozinho na barriga a cada sábado que a gente chega lá por não saber se a casa vai estar cheia ou não. Mas em dias como esse, a gente sente que o caminho, apesar de íngreme, levará a um lugar bom. Basta saber voar quando for preciso. Hatuna Matata!!!

sábado, 10 de abril de 2010

Livro-chiclete e o Livro-vitamina segundo Socorro Acioli.

Começa a IX Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Convenções de Fortaleza, até o dia 18 de abril. Para quem está na Terra do Sol, recomendo que visitem o SITE DA BIENAL e escolham o que de melhor pode ser aproveitado dentro do gosto de cada um. Para quem não está por lá - como eu - deixo aqui também a minha vontade de sentir o calor do encontro.
Para todos, um trechinho do artigo publicado hoje por Socorro Acioli do jornal O POVO sobre a Bienal - vale para qualquer desavisado quando o assunto é livro:

"
Para explicar de forma um pouco Lobatiana, existem os livros-chiclete e os livros-vitamina. O livro-chiclete dura pouco, não alimenta e é cuspido em seguida. O livro-vitamina engorda a imaginação, faz crescer a visão de mundo e seus efeitos são para sempre. Assim sendo, melhor comprar um bom livro de vinte reais do que vinte de um real."

Querida Socorro, concordo com tudo.
Agora vou tomar um pouco de vitamina.
Queridos leitores, vale a pena ler o artigo inteirinho NESTE LINK.

sábado, 3 de abril de 2010

Videoclipe do livro Cadê o Juízo do Menino? - ou será da música?

Olá, Pessoal, abaixo segue clipe de vídeo com a música que o Tino fez para seu livro CADÊ O JUÍZO DO MENINO? (ilustrações de Mariana Massarani, Manati), com imagens do livro, rascunhos, coisas que acabaram não entrando o projeto, fotos de apresentações nas escolas e resenhas sobre o livro. Espero que gostem. A gente se divertiu muito por aqui produzindo mais essa brincadeira. Hatuna Matata!!!



Ou assistam direto no youtube.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A ilustração nos detalhes

Essa semana recebemos uma newsletter da Cosac & Naify falando do livro O SEGREDO DO COELHO (John A. Rowe) e ficamos curiosos com o jogo proposto pelo ilustrador. Não encontrei o livro nas livrarias - ainda - mas fiquei curioso sobre o livro e aí, encontrei um texto muito bacana da jornalista CRISTIANE ROGÉRIO, jornalista da Revista Crescer intitulado A ILUSTRAÇÃO NOS DETALHES e - BINGO! - lá estava ela citando o livro CADÊ O JUÍZO DO MENINO? (texto meu, com ilustras da MARIANA MASSARANI, Manati), traçando um paralelo com a brincadeira que o novo livro da Cosac também apresenta como um convite ao leitor para algo mais além do texto:

"Adoro contos em que a brincadeira é procurar algo nas ilustrações. Ano passado, o jornalista Tino Freitas estreou na literatura infantil com o Cadê o Juízo do Menino? (Ed. Manati) e uma série de versos rimados que brincam com a frase "ei, perdeu um parafuso" ou "perdeu o juízo". O leitor já está em puro deleite quando, no final, o escritor coloca um desafio: voltar ao início do livro e encontrar parafusos nas sempre divertidas ilustrações de Mariana Massarani. Minha sobrinha, Letícia, não acreditava: parecia uma emoção incrível. E lá ia ela, com o dedinho apontando a brincadeira." (Leia AQUI o texto completo).


Ainda não escrevemos sobre a FLIPIRI (Festa Literária de Pirenópolis) - que aconteceu mês passado - por falta de tempo, mas não posso deixar de aproveitar o gancho e dizer da honra que foi ter o querido autor/ilustrador ANDRÉ NEVES usando nosso livro na sua palestra para professores, citando-o como exemplo de um diálogo perfeito entre texto e ilustração, em que a ideia do escritor extrapola os limites do texto e pousa na "pena" do ilustrador para encantar o leitor mesmo depois que a história acaba. Na verdade, a história não acaba no fim. E é mérito da Mariana Massarani ter brincado comigo na construção deste livro tão querido. Então, obrigado Cristiane, obrigado André e obrigado Mariana. Seguimos juntos desparafusando boas ideias.

P.S. E, sim, assim que eu encontrar o Vovô Coelho de Rowe vou trazê-lo para a toca dos Roedores de Livros.

Feliz Páscoa a todos! Hatuna Matata!!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Reinvenção da Leitura ou O que era feito em átomos passa a ser executado - e transformado - em bits.

Gente, a discussão em torno do "fim do livro" ganhou uma reportagem com profundidade na revista ÉPOCA NEGÓCIOS de março (nas bancas). Vale a pena comprar a revista e mergulhar na matéria ESCRITO EM BITs do repórter Carlos Rydlewski. No link anterior há um trecho da longa reportagem e abaixo, copio um aperitivo para os mais curiosos. Então, passem na banca mais próxima e leiam o que Jeff Bezos, Roberto Irineu Marinho, Paulo Coelho, Roberto Civita, Luiz Schwarcz, Otavio Frias Filho e Ruy Mesquita entre outros têm a dizer sobre o assunto.

"Estamos no ano 2050, na metade do século 21. Com surpresa, um grupo de crianças numa escola escuta o seguinte relato. No passado, descreve o professor,os homens usavam extensas porções de terra para plantar florestas. Após sete anos – mas esse prazo poderia ser três ou quatro vezes maior –, a mata nesses locais eraderrubada e suas toras, transportadas por centenas de caminhões até grandes usinas. Ali, produzia-se um artigo chamado papel. Disposto em bobinas, esse produto atravessava o mundo em porões de navios. A viagem só terminava em amplos parques gráficos, onde, embebido em toneladas de tinta, era usado para a produção de jornais, revistas e livros. Essas publicações também passeavam bastante. Impressas, embarcavam em aviões, caminhões, peruas, bicicletas ou mesmo em sacolas até a porta da casa dos consumidores. E um detalhe: no caso dos jornais, toda essa imensa engrenagem era movida para a divulgação de notícias do dia anterior. Era como continuar a erguer um palácio, mesmo enquanto o rei era deposto. No dia seguinte, tudo recomeçava."

Curioso(a)? Leia na revista o conteúdo integral. Hatuna Matata.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O que fazer para tornar seus alunos leitores?

Pessoal, esse post não tem fotos para não correr o risco de maquiar a força do texto que Bia Hetzel publicou ontem à noite no blog da editora Manati. Bia é sinônimo de inteligência no meio literário. Inteligência que transborda no texto ao qual este post faz referência, em que ela "responde" a pergunta: - O QUE FAZER PARA TORNAR SEUS ALUNOS LEITORES?

Nós assinamos embaixo. Valeu, Bia!!!!!!!!!

"Leitura é um vício. Um ótimo vício. Professor tem que usar a tática do traficante: dar amostra grátis; contar o "barato" que a leitura provoca nele e nos outros; mostrar que a pessoa que lê ganha carteirinha de uma tribo irada, que se enturma com uma galera da hora..."

CLIQUE AQUI e leia o texto na íntegra!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Começa a 2ª FLIPIRI (Festa Literária de Pirenópolis - GO)

Aqui no Roedores de Livros, malas prontas para Pirenópolis (GO). Começa hoje à noite, no belíssimo centro histórico da cidade goiana, a segunda edição da FLIPIRI - FESTA LITERÁRIA DE PIRENÓPOLIS.
A programação conta com a participação de três nomes importantes da literatura "adulta" e "infantil": O escritor e ilustrador ANDRÉ NEVES e os escritores IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO e MOACYR SCLIAR, vencedores do Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano categoria Ficção de 2008 e 2009, respectivamente, por O MENINO QUE VENDIA PALAVRAS e MANUAL DA PAIXÃO SOLITÁRIA.
A festa também contará com a presença de escritores brasilienses filiados à CASA DE AUTORES e a programação - entre outras atividades - incluirá visitas às escolas da cidade - inclusive na área rural -, palestras, encontros poéticos, contação de histórias para crianças.
A festa tem tudo para se firmar como uma das mais importantes na região, visto que, a exemplo de Ouro Preto (MG) e Paraty (RJ) - onde os festivais literários são um sucesso - a cidade tem um apelo turístico onde um dos destaques é a arquitetura barroca, feita em adobe. A cidade, tombada como patrimônio histórico, também é cercada de belas cachoeiras.
O Roedores de Livros estará presente durante toda a FLIPIRI e aos poucos postaremos aqui as acontecências. CLIQUE AQUI, AQUI, AQUI e AQUI para ver a nossa cobertura da 1ª FLIPIRI.

Para saber mais sobre a festa desse ano - inclusive a sua programação detalhada - CLIQUE AQUI e leia reportagem da jornalista NAHIMA MACIEL para o jornal CORREIO BRAZILIENSE publicada nessa quinta, 11 de março.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ler é a maior diversão!!!

No último sábado, 06/03, duas visitas surpreenderam os Roedores de Livros. O casal Berenice e Eliton (irmão da Edna) chegaram de uma longa viagem de férias que começou lá pelo sul do país, parou em Brasília para um "oi" e pousará em Fortaleza daqui a alguns dias. Como bons nordestinos, o casal levará na bagagem as boas novas do projeto e o delicioso café com cuscuz e tapioca da "Praça de Alimentação" do Shopping Popular da Ceilândia. De mansinho, os dois foram se acomodando ao redor da criançada que foi chegando aos poucos - mas foi chegando até fazer o maior quórum desse reinício de atividades: 12 crianças. 14 com o casal. Bem, pra falar a verdade uns 20 se considerarmos nós - crianças também - e os pais e avós que apareciam rapidinho, mas sempre arrumavam tempo para ouvir uma ou outra história.

Antes das histórias ganharem vida e como já não cabia todo mundo na Sala de Leitura o melhor a fazer foi estender o tapete vermelho na recepção, distribuir as almofadas e relembrar com a turma as 10 normas que construímos juntos:

1 - Cuidar bem dos livros (evitar amassar as folhas, não riscar, fazer a leitura sempre com as mãos limpas, enfim, zelar para que o livro permaneça saudável para o próximo leitor). "Não machucar o livro, não é, tia?" - Diria uma criança. É, é isso mesmo!

2 - Não gritar, correr ou discutir com os colegas;

3 - Não trazer comida e bebida para o ambiente de leitura;

4 - Ir ao banheiro e tomar água somente na hora do "intervalo" - exceto em casos "emergenciais";

5 - Calçados não combinam com os tapetes. Então, de preferência deixe-os sempre nas caixas;

6 - Pezinhos e meias limpos - nada de chulé!!!

7 - Nada de soltar PUM!

8 - Uma almofada pra cada um (ops, rimou com a norma 7);

9 - Atenção para ouvir as histórias = Não conversar durante a mediação da leitura;

10 - Ler muitos livros!!!

Naquela manhã, a mediação foi muito bacana. Escolhemos os livros O RATINHO, O MORANGO VERMELHO MADURO E O GRANDE URSO ESFOMEADO (Audrey Wood e Don Wood, Brinque Book), MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA (Ana Maria Machado, com ilustrações de Claudius, Ática), RAPOSA (Margaret Wild, com ilustrações de Ron Brooks, Brinque Book) e EM CIMA & EMBAIXO (Janet Stevens, Ática). As crianças se envolveram em todas as histórias. Foram leituras extremamente prazerosas. A nova toca está ganhando seus moradores e está se moldando bem às novas necessidades.

Mais uma vez saímos de lá com a "norma 11" estampada no sorriso: LER É A MAIOR DIVERSÃO!!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sobre amigos, livros e obras de arte.

Durante anos, o prazer em visitar uma grande livraria aqui em Brasília ia muito além de degustar os lançamentos e convidar um ou outro livro para um café ali mesmo na loja. Conquistamos bons amigos entre os frequentadores. Mas, principalmente, descobrimos amigos entre os funcionários. A turma da seção infantil de anos atrás passou pela seção de artes, de dicionários e tantas outras até ir para a seção "fora da loja" no final do ano. A vida foi boa para eles ali, mas o horizonte se mostrou ainda melhor para suas cucas criativas e sonhadoras.

Em janeiro os dois viajaram para umas férias que imagino terem sido incríveis. Passamos muito tempo sem nos encontrarmos. Dias desses eu não os encontrei novamente. Embora eles tenham vindo até em casa - sem avisar! Eu estava fora, acompanhando mais um evento em torno do livro e Ana Paula num compromisso de família. Ao retornar encontramos um presente especial sobre a cama. Não podia ser diferente: um livro. O melhor presente por aqui. Mas esse livro era ainda mais especial. Foi escolhido a dedo, numa loja em Paris. Novinho em folha, Copiright 2010.
La Colère de Banshee (texto de Jean-François Chabas, com ilustrações absurdas de David Sala, editora Casterman). Em bom português, A Cólera de Banshee.

Até então, para mim, Banshee era um dos personagens das histórias que eu lia compulsivamente nos gibis do X-man nos anos 80. Depois, descobri que - como alguns heróis do grupo - seu nome e habilidade tinha a ver com o universo fantástico dos mitos e lendas. No caso, das lendas da Irlanda (Mitologia Celta) em que Banshee era uma fada que possuía um "grito" incomum, que seu canto era o prenúncio de más notícias. Hoje, pesquisando na wikipedia, descobri que seu nome significa algo "como "fada mulher" (onde Bean significa mulher, e Sidhe, que é a forma possessiva de fada)". No belo presente que chegou de surpresa à toca dos Roedores de Livros, Banshee é o nome de uma bela menina que sai de casa "em brasa", correndo pelo bosque espantando os pássaros, movendo pedras, ondas, atrapalhando a vida dos pássaros, dos peixes e dos homens. Algo a deixou em fúria. E o desfecho revela sentimentos que qualquer criança conseguiria expressar no seu dia a dia: birra e amor. Uma linda história. Um grande presente.

Agora o que Dayla e Rafael - nossos amigos - não sabiam é que eu e Ana Paula ADORAMOS o trabalho de Gustav Klimt. E as ilustrações que David Sala fez para este livro são referências explícitas à obra do artista austríaco. A impressão, feita na China, ressalta o dourado, uma das características clássicas. Há outras tantas em toda a edição. Olhar o livro é como apreciar uma obra de arte. Comparem as ilustrações acima com a reprodução abaixo de um dos trabalhos de Klimt (Mother and child). É imoressionante.

Esse post foi uma forma de dizer MUITO OBRIGADO a Dayla e Rafael, e divulgar aos amantes do livro esse achado literário fantástico. E aos outros amigos que ainda trabalham na livraria, não fiquem com ciúmes. Nossos corações têm abrigos aconchegantes para todos vocês. Boa leitura a todos. Hatuna Matata!!!